Yoga Baby: Uma prática de yoga em dupla

     Com tantos estilos de yoga que temos hoje em dia é importante definir o que é yoga baby para que esta prática não seja somente mais uma etiqueta dentro do yoga. Primeiro gostaria de destacar que yoga, em seu sentido mais original e profundo, é um encontro com nossa natureza integral e é justamente este o propósito do yoga baby.
     Yoga baby não é uma ginástica para bebês, seu objetivo principal não é este, mas como durante a prática o trabalho com o corpo é um meio para atingirmos nosso ser integral, a prática também tem efeitos visíveis no corpo. Yoga é um estado de consciência, conexão com si mesmo e o mundo, é uma prática de auto-conhecimento e libertação. Se você deseja conhecer mais sobre yoga acesse: http://www.yoga.pro.br
     Vou me referir ao termo yoga baby já que deram este nome para esta prática de yoga que acontece entre mãe e bebê, mas penso que o nome mais apropriado seria yoga para mães e bebês. Não é o nome mais vendável, entretanto, como o próprio nome já diz, não é uma prática somente para o bebê, pois obviamente, nenhum bebê vem sozinho ao mundo e muito menos vem sozinho para praticar yoga!
          Em sua origem, o yoga se propõe a atender as necessidades específicas de cada pessoa e numa prática em dupla, as necessidades de ambos precisam ser atendidas. Além das necessidades específicas de cada um, a prática em dupla tem em vista um objetivo importante em comum: interação mãe-bebê. Durante a prática existem movimentos e vivências mais específicas para a mãe, outros mais específicos para o bebê e outros que focam na interação, entretanto, a interação mãe-bebê permeia toda a prática.
      Os resultados de uma boa interação com a mãe são descritos por vários autores que se dedicaram a estudar o início da vida, e apesar de termos poucas evidências cientificamente comprovadas, podemos observar as diferenças nas crianças que foram bem nutridas afetivamente. Para Winnicott (1999) “a mãe está assentando, sem que o saiba, as bases da saúde mental do indivíduo.” (p.20) Esta é uma afirmação muito forte, mas para Winnicott, as evidências se encontram nos indivíduos com distúrbios psicológicos graves que não tiveram apoio materno ou de alguém que fizesse este papel. Cuidar da saúde física e mental da mãe neste sentido torna-se essencial e indiscutível.
     Um bebê bem nutrido afetivamente é um bebê que terá mais saúde de uma forma geral, e isto inclui benefícios físicos, psicológicos e sociais. Segundo Ribble (1975) “a segurança no relacionamento com a mãe (ou seu substituto constante) é fundamental para comer e eliminar satisfatoriamente assim como para o início do desenvolvimento mental e de uma educabilidade fáceis.” (p.105) A estimulação da interação afetiva entre mãe e bebê tem benefícios que ultrapassam nossa compreensão teórica do assunto e, é muito importante pensarmos na prática para muito além do tapetinho.
    
Yoga baby é um momento sagrado de encontro da mãe com ela mesma, da mãe com seu bebê, um momento para estarem juntos, para celebrarem a vida e conhecerem mais sobre si mesmos. 

 
Yoga baby é uma prática de yoga em dupla onde as necessidades de ambos precisam ser atendidas, onde a conexão entre mãe e bebê é fundamental.
 
     Minha experiência me mostra como esta prática pode beneficiar tanto a mãe como o bebê e gostaria de salientar alguns objetivos mais específicos que esta prática pode proporcionar:
Para o Bebê
- Estimulação do desenvolvimento neuro-evolutivo (de acordo com a fase que o bebê está)
- Facilita consciência corporal (através do toque, o bebê conhece o próprio corpo)
- Facilita desenvolvimento emocional e afetivo (social)
- Estimula a atenção e a concentração
- Prevenção e alívio de cólicas geradas por gases ou constipação
- Traz relaxamento, calma e alívio de tensões   
- Favorece a musicalidade e a noção de ritmo
Para a Mãe
- Permite que a mãe faça uma atividade com seu bebê
- Auto-conhecimento
- Relaxamento e tranquilidade
- Troca com outras mães e bebês
- Favorece equilíbrio mental e psicológico
- Consciência espiritual
- Consciência corporal
- Fortalecimento e flexibilidade
- Reeducação postural
- Fortalecimento abdominal e períneo

Referências
RIBBLE, Margaret A. Os direitos da Criança: As necessidades psicológicas iniciais e sua satisfação. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Imago Editora LTDA, 1975.
WINNICOTT, D. W. Os Bebês e suas Mães. Trad. Jefferson Luiz Camargo; 2ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

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